As Rosas de Minha Avó Tereza

Algumas lembranças da infância não desaparecem. O tempo passa, a vida muda, construímos nossa própria família, envelhecemos, mas determinadas cenas permanecem guardadas em algum lugar da memória com uma nitidez impressionante. Uma das minhas lembranças mais bonitas é de minha avó paterna, Tereza Amélia, e de um pequeno jardim que cultivamos juntos quando eu tinha por volta de oito anos.

Nasci em 1962 e, naquela época, meu pai possuía um sítio a aproximadamente 25 quilômetros de Fortaleza, numa região que alguns chamavam de Pajuçara e outros de Timbó, nas proximidades de Pacatuba. Depois que meu avô faleceu, meu pai levou minha avó Tereza para morar conosco. Foi assim que nossa convivência se tornou mais próxima e que muitas lembranças dela começaram a fazer parte da minha própria história.

Minha avó gostava muito de plantas. As roseiras eram sua grande paixão. Talvez tenha sido justamente observando aquele cuidado que nasceu em mim o gosto por cultivar plantas, um hábito que nunca abandonei. Hoje moro em apartamento e, mesmo com pouco espaço, continuo mantendo meus vasos. Quando penso nisso, percebo que algumas heranças não estão nos bens que recebemos, mas nos pequenos costumes que alguém deixou dentro de nós.

Nos fins de semana e durante as férias, costumávamos ir para o sítio, e minha avó ia conosco. Quando conheceu o lugar, ficou encantada. Havia um açude e, diante da casa, espaço suficiente para realizar um desejo que logo comunicou ao meu pai: ela queria fazer ali um jardim.

Meu pai comprou algumas mudas e, aos poucos, o jardim começou a nascer. Minha avó já tinha certa idade e seus movimentos não permitiam que fizesse tudo como gostaria. Ainda tentava cuidar e podar as roseiras, mas algumas tarefas já eram difíceis para ela.

Foi então que entrou em cena seu netinho de aproximadamente oito anos.

Lembro-me dela com um pequeno balde nas mãos, pedindo que eu fosse até o açude buscar água para regar as plantas. Eu pegava o baldinho, ia até lá, enchia de água, voltava e despejava junto às roseiras. Depois fazia novamente o mesmo caminho. E mais uma vez. Quantas viagens fiz entre o jardim e o açude, não sei. Naquele momento, também não imaginava que aqueles pequenos percursos ficariam guardados dentro de mim por toda a vida.

Eu queria satisfazer minha avó.

E gostava de vê-la feliz.

Com o tempo, as plantas cresceram e as roseiras começaram a florescer. Havia rosas vermelhas, amarelas, cor-de-rosa e brancas. Lembro-me da beleza daquele jardim e do perfume das flores. Minha avó contemplava suas plantas com satisfação, e eu ficava feliz porque ela estava feliz.

Hoje compreendo que eu não estava apenas carregando água.

Estava construindo uma memória.

Talvez seja essa uma das coisas mais extraordinárias da infância. Vivemos acontecimentos aparentemente pequenos sem saber quais deles permanecerão conosco. Para aquele menino, buscar água no açude era apenas uma maneira de ajudar a avó. Para o homem que hoje recorda aquela cena, cada viagem com aquele baldinho representa carinho, convivência e amor.

Os anos passaram. Minha avó sofreu um AVC e ficou acamada até o fim de sua vida. No momento de sua partida, eu estava em casa. Ela estava em um quarto e eu, em outro. Guardo até hoje uma experiência muito íntima daquele instante: antes mesmo de alguém me dizer que minha avó havia partido, senti sua presença como se estivesse se despedindo de mim. É uma sensação que pertence à minha memória e à minha fé e que nunca consegui esquecer.

Minha avó se foi, mas alguma coisa dela permaneceu comigo.

Talvez esteja nas plantas que ainda hoje cultivo.

Talvez esteja no prazer que sinto ao perceber uma nova folha surgindo ou uma flor se abrindo.

Talvez, sempre que rego uma planta, exista dentro de mim um pouco daquele menino caminhando até o açude com um pequeno balde nas mãos.

Durante muitos anos também carreguei um desejo: queria que o nome Tereza Amélia continuasse nas novas gerações da família. Quando minha filha Camila nasceu, pensei em homenagear minha avó dando-lhe esse nome, mas minha esposa preferiu outro e respeitei sua decisão. Depois, a cada neta que chegava à família, eu novamente sugeria Tereza Amélia. Meus filhos e minha filha fizeram outras escolhas, e aquele desejo acabou não se realizando.

Hoje penso que talvez existam outras maneiras de perpetuar um nome.

Um nome pode estar numa certidão de nascimento, mas também pode permanecer numa história contada aos filhos e aos netos. Pode sobreviver numa fotografia, numa lembrança, num costume que atravessa gerações ou simplesmente no coração de alguém que se recusa a esquecer.

E talvez seja justamente isso que estou fazendo agora.

Estou plantando novamente o nome de Tereza Amélia.

Não mais naquele jardim diante da casa do sítio, mas nestas palavras. Cada lembrança que escrevo é como uma pequena muda colocada na terra para que aquilo que vivi não desapareça comigo.

Não sei o que aconteceu com aquelas roseiras. Não sei se algum vestígio daquele jardim ainda existe. Provavelmente o tempo transformou tudo. Mas existe um jardim que o tempo não conseguiu destruir.

Ele continua dentro de mim.

Nele ainda vejo minha avó cuidando das plantas. Ainda vejo o pequeno balde. Ainda caminho em direção ao açude. Ainda sinto o perfume das rosas vermelhas, amarelas, cor-de-rosa e brancas. E ainda encontro aquela senhora feliz ao ver seu jardim florescer.

Talvez eu não tenha conseguido colocar seu nome em uma filha ou em uma neta.

Mas posso colocá-lo aqui.

Tereza Amélia.

Minha avó.

A mulher que me ensinou, talvez sem perceber, a gostar das plantas e que deixou em mim uma lembrança que atravessou mais de meio século.

Esta história é a homenagem que durante tantos anos eu quis lhe fazer.

E enquanto houver uma planta sendo cuidada pelas minhas mãos, talvez exista também um pedacinho daquele jardim dentro da minha casa.

Porque algumas pessoas partem, mas continuam florescendo em nós.

Te amo, minha avó Tereza Amélia.

Eugênio Oliveira
Blog Entre Linhas & Vivências

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