Acredite: A Fé Pode Transformar a Nossa Vida

A palavra acredite parece simples. Apenas oito letras, mas talvez poucas palavras carreguem tamanha capacidade de modificar a maneira como enfrentamos a vida. Acreditar é olhar para uma dificuldade e admitir que ela existe, mas não permitir que ela seja maior do que a nossa esperança. É reconhecer nossas limitações sem transformá-las em sentença. É continuar caminhando quando as circunstâncias parecem dizer que deveríamos desistir. E, para quem tem fé, acreditar é também entregar a Deus aquilo que nossas próprias forças já não conseguem carregar.

Jesus falou muitas vezes sobre a força da fé. No Evangelho de João, encontramos uma passagem particularmente marcante: “Quem crê em mim fará também as obras que eu faço e fará ainda maiores do que estas” (João 14:12). Não se trata de imaginar que o ser humano pode ocupar o lugar de Deus ou que basta desejar alguma coisa para que ela necessariamente aconteça. A mensagem é mais profunda: a fé pode nos mover para além daquilo que julgávamos ser capazes de realizar. Ela desperta coragem, perseverança e esperança. Faz-nos levantar depois das quedas e tentar novamente quando uma porta se fecha.

Por isso, acredito que precisamos ter cuidado para não transformar a fé numa espécie de fórmula mágica. Nem tudo aquilo que desejamos acontecerá exatamente como imaginamos. Haverá perdas, frustrações, doenças, despedidas, projetos que não darão certo e caminhos que precisarão ser refeitos. Ter fé não significa receber de Deus a garantia de uma vida sem sofrimento. Significa acreditar que mesmo nos momentos difíceis não caminhamos sem esperança. Às vezes pedimos uma determinada resposta e a vida nos apresenta outra. Somente muito tempo depois conseguimos compreender que determinados “nãos” também fizeram parte da nossa caminhada.

Mas existe outra dimensão da fé que considero igualmente importante: acreditar na capacidade que temos de transformar aquilo que está ao nosso alcance. Podemos transformar uma relação através do perdão. Podemos mudar nosso futuro através do estudo. Podemos reconstruir uma trajetória através do trabalho. Podemos diminuir a solidão de alguém oferecendo companhia. Podemos melhorar o dia de uma pessoa com uma palavra. Podemos recomeçar depois de um erro. Talvez não tenhamos o poder de transformar tudo ao nosso redor, mas quase sempre temos algum poder sobre aquilo que fazemos diante das circunstâncias que encontramos.

E existe algo que considero ainda mais importante: enquanto passamos grande parte da vida procurando grandes motivos para sermos felizes, podemos deixar de perceber que algumas das maiores riquezas da existência estão justamente nas coisas que chamamos de pequenas. Uma casa onde existe paz. Uma mesa cercada por pessoas queridas. Uma conversa sem pressa. Um abraço verdadeiro. A presença da esposa ou do marido. Os irmãos. Os amigos. Os parentes. Os filhos chegando para uma visita. Os netos correndo pela casa. Nada disso parece extraordinário enquanto acontece todos os dias. Mas basta perdermos uma dessas coisas para compreendermos o tamanho que ela ocupava em nossa vida.

Talvez tenhamos invertido os conceitos. Chamamos de grandes as coisas que podem ser compradas e de pequenas aquelas que dinheiro algum consegue comprar. Uma casa pode ser adquirida; um lar precisa ser construído. Presentes podem ser comprados; carinho não. Podemos acumular patrimônio, mas nenhuma conta bancária compra o amor verdadeiro de um filho. Podemos conquistar reconhecimento profissional, mas nenhum título substitui a alegria de perceber que nossos filhos gostam de estar perto de nós.

Para mim, uma das maiores realizações que alguém pode experimentar ao longo da vida é olhar para os filhos adultos e perceber que existe entre pais e filhos algo que ultrapassou a obrigação familiar: existe respeito, amizade, presença e amor. Os filhos crescem, constroem suas próprias histórias, formam suas famílias e seguem seus caminhos. Já não dependem de nós como quando eram crianças. Por isso, quando continuam desejando nossa companhia, quando telefonam, visitam, conversam, compartilham suas vidas e demonstram carinho, existe nisso uma riqueza difícil de explicar.

E então chegam os netos.

Com eles, parece que a vida encontra uma maneira delicada de nos devolver um pouco da infância que o tempo levou. Voltamos a brincar, sorrimos com coisas simples, contamos histórias antigas e observamos uma nova geração começar sua caminhada. Talvez os netos também nos ensinem algo precioso: o tempo passa muito mais rápido do que imaginamos e, por isso, precisamos estar verdadeiramente presentes enquanto as pessoas que amamos estão conosco.

A fé também se manifesta aí.

Ela não vive apenas dentro das igrejas, nas orações ou nos momentos de recolhimento. A fé precisa chegar à nossa casa, à nossa mesa e aos nossos relacionamentos. De pouco adiantaria dizer que amamos a Deus se não aprendêssemos a amar aqueles que Ele colocou em nosso caminho. Amar exige paciência. Exige perdão. Exige aceitar diferenças. Exige procurar alguém depois de uma discussão. Exige reconhecer quando estamos errados. Família nenhuma é perfeita porque pessoas não são perfeitas. Mas uma família pode permanecer unida quando o amor se torna maior do que o orgulho.

Talvez seja por isso que, quanto mais o tempo passa, mais compreendemos que felicidade não é necessariamente possuir tudo aquilo que desejamos. Felicidade é aprender a reconhecer o valor daquilo que já temos.

Quantas pessoas passam a vida esperando o grande acontecimento que finalmente as fará felizes? Uma promoção. Uma viagem. Uma casa maior. Mais dinheiro. Um determinado reconhecimento. E enquanto aguardam esse momento extraordinário, deixam passar centenas de momentos aparentemente comuns que jamais voltarão.

A felicidade pode estar no almoço de domingo.

Pode estar numa ligação inesperada de um filho.

Pode estar no abraço de um neto.

Pode estar numa conversa com um irmão.

Pode estar no café compartilhado com quem escolhemos para caminhar conosco.

Pode estar simplesmente em acordar pela manhã e perceber que Deus nos concedeu mais um dia para amar e ser amado.

Opinião do autor

Eu acredito na força da fé. Acredito que Deus nos deu capacidades que muitas vezes desconhecemos e que podemos transformar muita coisa quando unimos fé, coragem, trabalho e perseverança. Mas acredito também que uma das maiores sabedorias da vida é compreender que nem sempre precisamos conquistar alguma coisa nova para sermos felizes. Muitas vezes, aquilo que tanto procuramos já está ao nosso redor. Está na família, nos filhos, nos netos, na pessoa que escolhemos para dividir a vida, nos irmãos, nos parentes e nos verdadeiros amigos. Ter as pessoas que amamos por perto, sentir seu respeito e receber seu amor é uma riqueza que dinheiro algum consegue comprar. Talvez a felicidade esteja justamente aí: acreditar em Deus, fazer o bem, amar profundamente e aprender a agradecer pelas grandes coisas que, por estarem presentes todos os dias, insistimos em chamar de pequenas.

Acredite. Tenha fé. Ame. Valorize quem está ao seu lado.
Porque talvez a vida que você tanto deseja encontrar amanhã já esteja, silenciosamente, acontecendo hoje.

Eugênio Oliveira
Blog Entre Linhas & Vivências

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