As palavras possuem força. Com elas podemos acolher ou afastar, incentivar ou desanimar, construir relações ou destruir aquilo que levou anos para ser construído. Muitas vezes pronunciamos alguma coisa num momento de raiva e, poucos segundos depois, gostaríamos de poder recolher o que dissemos. Mas a palavra lançada não volta. Podemos pedir desculpas, reparar o erro e buscar a reconciliação, porém aquilo que foi dito já encontrou o coração de alguém.
Jesus nos deixou ensinamentos que ajudam a compreender essa responsabilidade. No Evangelho, ensina que não é aquilo que entra pela boca que torna o homem impuro, mas aquilo que dela sai; em outra passagem, afirma que “a boca fala do que está cheio o coração”. São ensinamentos que nos convidam a olhar para dentro antes de julgar apenas aquilo que pronunciamos. Se nossas palavras estão constantemente carregadas de raiva, intolerância, inveja ou ressentimento, talvez seja necessário perguntar o que estamos alimentando interiormente. Da mesma forma, quando cultivamos amor, compaixão, respeito e gratidão, esses sentimentos tendem a aparecer naturalmente na maneira como tratamos as pessoas.
Por isso acredito que precisamos cuidar não apenas do que falamos, mas principalmente daquilo que guardamos no coração. Quem procura viver com amor terá mais condições de oferecer amor. Quem exercita a compreensão conseguirá ouvir melhor. Quem aprende a perdoar terá menos necessidade de ferir. E quando percebermos que não temos uma palavra boa, justa ou necessária para oferecer, talvez o silêncio seja a escolha mais sábia. Calar por alguns instantes pode nos dar o tempo necessário para refletir e evitar uma palavra que machucará por muito tempo.
Isso não significa imaginar que palavras positivas, sozinhas, possuem algum poder mágico capaz de transformar automaticamente nossa realidade. A fé precisa caminhar com atitude. Mas aquilo que dizemos influencia nossa maneira de pensar, nossos relacionamentos e até a disposição com que enfrentamos a vida. Existe uma grande diferença entre passar os dias repetindo que nada dará certo e conservar a esperança de que podemos trabalhar, aprender, recomeçar e melhorar.
Há três palavras que considero importantes nessa caminhada: peça, acredite e receba. Peça a Deus aquilo de que necessita, acredite com fé e mantenha o coração aberto para receber, lembrando que nem sempre aquilo que recebemos virá exatamente da maneira que imaginamos. Às vezes pedimos uma coisa e a vida nos conduz por outro caminho. Fé também é compreender que Deus pode conhecer necessidades que nós mesmos ainda não conseguimos enxergar.
Também acredito que não precisamos sentir culpa por desejar prosperidade. Querer uma vida digna, uma casa confortável, segurança para a família, condições para educar os filhos e tranquilidade financeira não nos torna menos espirituais. A pobreza e o sofrimento não devem ser romantizados. Mas a verdadeira riqueza também não pode ser reduzida ao dinheiro. Prosperidade é possuir recursos sem perder a generosidade, crescer sem esquecer o próximo e conquistar sem permitir que aquilo que temos se torne mais importante do que aquilo que somos.
No final, nossas palavras acabam contando muito sobre nós. Elas revelam aquilo que cultivamos silenciosamente todos os dias. Por isso quero vigiar mais aquilo que digo, alimentar meu coração com coisas boas e procurar utilizar minhas palavras para incentivar, agradecer, confortar e construir.
Porque uma palavra pode durar apenas alguns segundos na boca de quem a pronuncia, mas permanecer durante muitos anos no coração de quem a escuta.
Eugênio Oliveira
Blog Entre Linhas & Vivências




