Quando Olho para Minha Família Reunida, Sinto-me um Homem Realizado

No Dia dos Pais, uma reflexão sobre filhos, netos, companheirismo, saudade e a riqueza que nenhum dinheiro é capaz de comprar.

Amanhã será Dia dos Pais. Se Deus permitir, estaremos todos juntos ao redor de uma mesa, almoçando, conversando, rindo, contando histórias e celebrando uma dessas datas que, com o passar dos anos, deixam de ser apenas acontecimentos do calendário e passam a carregar um significado muito maior. Talvez em algum momento eu fique alguns segundos em silêncio, apenas observando aquela mesa. E, quando olhar para cada pessoa que estiver ali, provavelmente pensarei comigo mesmo: como sou um homem rico.

Não falo da riqueza que se guarda em bancos, propriedades ou investimentos. Falo daquela que a vida vai construindo lentamente e que dinheiro algum consegue comprar. Sou pai de quatro filhos — três homens e uma mulher — e cada um ocupa um lugar único em minha história. Minha filha desperta em mim aquele amor incondicional e protetor que talvez muitos pais de menina compreendam sem conseguir explicar inteiramente. Pode ser por ela ser mulher, pode ser simplesmente uma dessas particularidades misteriosas do coração de um pai. Isso em nada diminui o amor imenso que tenho pelos meus três filhos homens. Cada um deles representa uma parte de mim, da minha caminhada, das minhas preocupações, das minhas alegrias e também dos sonhos que fui construindo ao longo da vida.

A família, porém, cresceu. A vida me deu ainda dois enteados que aprendi a considerar também como filhos, porque descobri que paternidade não é determinada exclusivamente pelo sangue. Existem vínculos construídos pela convivência, pelo respeito, pelo cuidado e pela decisão de acolher alguém no coração. Vieram depois os genros e as noras, incorporando novas histórias à nossa história. E então chegaram os netos — sete presentes que a vida me concedeu e pelos quais tenho um amor difícil de colocar em palavras. Ser avô talvez seja uma segunda oportunidade que Deus oferece ao homem para experimentar o amor familiar de outra maneira: com menos pressa, mais experiência e uma consciência muito maior de como o tempo passa depressa.

No centro de tudo isso está também minha companheira, Maria José, mulher por quem tenho profundo amor, respeito e consideração. Companheira de todas as horas, ela divide comigo não apenas os bons momentos, mas aquilo que realmente define uma vida a dois: os desafios, as decisões, as preocupações, as conquistas e a construção cotidiana de uma família. Quando duas pessoas conseguem atravessar o tempo permanecendo lado a lado, descobrem que o amor também se manifesta na cumplicidade, na amizade, na paciência e na certeza de saber que existe alguém com quem podemos contar quando o mundo parece mais difícil.

Talvez por isso eu valorize tanto a família. Olho para a minha e vejo pessoas diferentes, gerações diferentes, personalidades diferentes e caminhos próprios, mas encontro algo que considero cada vez mais precioso: união. Sinto o respeito e o carinho que todos têm por mim, e isso me proporciona uma felicidade difícil de medir. Chega determinado momento da vida em que começamos a compreender que muitas coisas pelas quais corremos durante décadas perdem importância. Cargos passam. Dinheiro circula. Bens envelhecem. Reconhecimento desaparece. Mas permanecer na memória e no coração daqueles que amamos é um patrimônio que não sofre desvalorização.

Amanhã, porém, haverá uma ausência naquela mesa. Meu pai, Luiz Felicio, já não estará fisicamente comigo. Perdi meu pai, mas não perdi sua presença dentro de mim. Algumas pessoas partem sem verdadeiramente ir embora, porque continuam existindo nas histórias que contamos, nos ensinamentos que repetimos, nos gestos que herdamos e até em determinadas maneiras de olhar a vida. Hoje sou pai, avô e chefe de uma grande família, mas continuo sendo também filho. E no Dia dos Pais é impossível não voltar por alguns instantes àquele lugar e lembrar do homem que veio antes de mim.

Talvez exista algo muito bonito nisso. Meu pai permanece em minhas lembranças; eu permaneço na vida dos meus filhos; meus filhos constroem suas próprias famílias; e meus netos começam agora a escrever histórias que provavelmente continuarão quando nenhum de nós estiver mais aqui. Uma família é uma corrente de afetos atravessando o tempo. Recebemos valores de quem veio antes, acrescentamos nossa própria experiência e entregamos alguma coisa àqueles que vêm depois.

Por isso, amanhã não quero apenas comemorar o fato de ser pai. Quero agradecer. Agradecer pelos meus filhos, pelos filhos que a vida acrescentou ao meu caminho, pelos meus sete netos, pelos meus genros e noras e pela companheira que caminha ao meu lado. Quero agradecer também pela memória do meu pai. E, acima de tudo, agradecer a Deus pela oportunidade de ainda poder sentar-me à mesa e contemplar minha família reunida.

Talvez eu não diga tudo isso durante o almoço. Provavelmente haverá conversa demais, risadas, gente falando ao mesmo tempo, pratos passando de uma mão para outra e aquela agradável confusão que somente uma família reunida consegue produzir. Mas certamente haverá um instante em que vou olhar ao redor e guardar aquela cena na memória.

O tempo me ensinou uma coisa que gostaria que meus filhos e netos também aprendessem: não existe sucesso profissional, dinheiro, patrimônio ou reconhecimento que substitua a felicidade de ter para onde voltar e encontrar pessoas que verdadeiramente nos amam.

Amanhã, quando todos estiverem juntos, talvez eu me lembre novamente de Luiz Felicio. Pensarei no pai que tive, nos filhos que criei, nos netos que hoje posso abraçar e na família que construímos. E compreenderei que a vida, apesar de todas as dificuldades encontradas pelo caminho, foi extremamente generosa comigo.

Se alguém me perguntasse, então, qual foi uma das minhas maiores conquistas, talvez eu simplesmente apontasse para aquela mesa.

Minha família.

Porque, depois de tantos anos vivendo, trabalhando, aprendendo, acertando e errando, cheguei a uma conclusão muito simples:

um homem pode possuir muitas coisas durante a vida. Mas poucas poderão fazê-lo tão rico quanto uma família unida.

Feliz Dia dos Pais.

Em memória de meu pai, Luiz Felicio, e em homenagem aos meus filhos, netos e a toda a família que dá sentido à minha caminhada.

Matéria redigida por Eugênio Oliveira

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