1970: Quando o Brasil Foi Tricampeão e a Nossa Rua Parou para Ver a Televisão Colorida

Existem Copas do Mundo que passam. E existem Copas do Mundo que ficam para sempre guardadas na memória.

A Copa de 1970 é uma delas.

Hoje, enquanto a Seleção Brasileira inicia mais uma caminhada em busca do tão sonhado Hexacampeonato Mundial, minha mente viajou 56 anos no tempo. Voltei a ser aquele menino de apenas 8 anos de idade que morava na Rua Tenente Benévolo, nas proximidades do tradicional Mercado dos Peões, em Fortaleza.

Naquele tempo, o Brasil era diferente. As ruas eram mais tranquilas, os vizinhos se conheciam pelo nome e a Copa do Mundo era um acontecimento capaz de unir famílias inteiras.

Lembro como se fosse hoje quando meu pai chegou em casa com uma novidade que parecia coisa de outro mundo: uma televisão colorida da marca General Electric.

Ter uma televisão já era privilégio para poucos. Ter uma televisão em cores era quase um acontecimento histórico.

Naquela época, a televisão colorida ainda era uma raridade no Brasil. Embora a Copa de 1970 tenha sido a primeira Copa do Mundo produzida e transmitida internacionalmente em cores, a maioria dos brasileiros ainda assistia aos jogos em aparelhos preto e branco. Ver imagens coloridas era algo extraordinário.

A notícia correu rápido pela vizinhança.

Nos dias dos jogos, nossa casa ficava cheia. Amigos do meu pai, vizinhos, conhecidos e colegas do meu irmão mais velho, Chico Alberto, que tinha 16 anos na época, apareciam para assistir às partidas.

A televisão virava atração.

Mas o espetáculo maior estava dentro de campo.

O Esquadrão de Ouro

A Seleção Brasileira de 1970 é considerada por muitos especialistas como a melhor equipe de futebol de todos os tempos.

Sob o comando do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, o Brasil encantou o mundo com um futebol alegre, ofensivo e tecnicamente perfeito.

A escalação campeã era formada por:

Félix, Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza, Everaldo, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Tostão, Rivellino e Pelé.

Um verdadeiro time dos sonhos.

O capitão era Carlos Alberto Torres, dono de uma liderança admirável e autor de um dos gols mais bonitos da história das Copas do Mundo.

Pelé era o rei.

Gérson era o cérebro.

Rivellino era a magia do pé esquerdo.

Tostão era a inteligência.

Jairzinho era a velocidade e a força.

E Clodoaldo fazia o meio-campo funcionar com uma elegância impressionante.

Uma Campanha Perfeita

O Brasil conquistou o título de forma invicta, vencendo todos os seis jogos disputados.

A campanha foi a seguinte:

  • Brasil 4 x 1 Tchecoslováquia
  • Brasil 1 x 0 Inglaterra
  • Brasil 3 x 2 Romênia
  • Brasil 4 x 2 Peru
  • Brasil 3 x 1 Uruguai
  • Brasil 4 x 1 Itália

Jairzinho entrou para a história ao marcar gols em todos os jogos da competição, feito jamais repetido em uma mesma Copa do Mundo. Terminou o torneio como vice-artilheiro com sete gols.

A Grande Final

No dia 21 de junho de 1970, mais de 107 mil pessoas lotaram o Estádio Azteca, na Cidade do México.

Do outro lado estava a poderosa Itália.

Mas aquele era o dia do Brasil.

Pelé abriu o placar de cabeça.

A Itália empatou ainda no primeiro tempo.

Na etapa final, Gérson recolocou o Brasil na frente.

Jairzinho ampliou.

E então veio o momento eterno.

Aos 86 minutos, após uma troca de passes magistral, Pelé rolou para Carlos Alberto Torres chegar batendo de primeira e marcar aquele que muitos consideram o gol coletivo mais bonito da história das Copas do Mundo.

Brasil 4.

Itália 1.

O mundo estava rendido ao futebol brasileiro.

A Copa da Terceira Estrela

Com a conquista do tricampeonato, o Brasil tornou-se o primeiro país a vencer três Copas do Mundo.

Como previa o regulamento da época, a Taça Jules Rimet ficou definitivamente com o Brasil.

Era a consagração de uma geração que transformou o futebol em arte.

Uma Lembrança Que o Tempo Não Apaga                                                                                         

Ao recordar aquela Copa, não me lembro apenas dos gols ou das vitórias.

Lembro das cadeiras espalhadas pela sala.

Dos vizinhos chegando mais cedo para garantir lugar.

Das conversas antes dos jogos.

Do orgulho estampado no rosto dos brasileiros.

Lembro da televisão colorida do meu pai chamando a atenção de toda a rua.

Lembro da emoção de ser criança em um país que parava para ver sua seleção encantar o mundo.

Hoje, ao iniciar mais uma Copa em busca do Hexa, uma notícia traz um sentimento especial de saudade.

O ex-zagueiro Brito, titular absoluto daquela inesquecível seleção de 1970, faleceu aos 86 anos, poucos dias antes do início da Copa de 2026. Sua contribuição para o tricampeonato será eternamente lembrada pelos brasileiros.

Aqueles heróis estão partindo aos poucos.

Mas suas histórias permanecem.

E enquanto houver alguém para contá-las, jamais serão esquecidas.

Porque algumas vitórias não pertencem apenas ao esporte.

Pertencem à memória afetiva de um povo.

E a Copa de 1970 continua viva dentro de milhões de brasileiros.

Matéria escrita por Eugênio Oliveira, com auxílio da Inteligência Artificial.

 

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