O país do Futebol tem uma segunda-feira triste

O Brasil amanheceu diferente nesta segunda-feira. Para milhões de brasileiros, a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega, por 2 a 1, deixou um sentimento que vai muito além do resultado. Deixou a amarga sensação de que poderíamos ter feito muito mais.

A derrota entrou para a história por diversos motivos. A Noruega, que jamais havia conquistado um título mundial, voltou a mostrar que continua sendo um adversário indigesto para a Seleção Brasileira. Mais uma vez, os europeus escreveram um capítulo importante diante da equipe mais vitoriosa da história das Copas do Mundo. Os dois gols de Erling Haaland decidiram a partida, enquanto o Brasil apenas diminuiu o placar nos acréscimos, em cobrança de pênalti convertida por Neymar.

Mas o que mais entristece não é apenas a eliminação. É a forma como ela aconteceu.

Na opinião deste autor, o Brasil entrou em campo respeitando em demasia o adversário. Em vez de impor o peso de uma camisa que ostenta cinco estrelas, parecia uma equipe preocupada em não errar. Jogou recuada durante boa parte da partida, permitindo que a Noruega tivesse domínio das ações ofensivas e encurralasse a Seleção em diversos momentos dos 90 minutos.

A camisa pentacampeã do mundo exige personalidade. Exige imposição. Exige que o Brasil dite o ritmo do jogo, independentemente de quem esteja do outro lado.

A Noruega foi organizada, disciplinada e eficiente. Fez exatamente aquilo que uma seleção precisa fazer em um mata-mata: aproveitou as oportunidades que surgiram. O Brasil, infelizmente, fez justamente o contrário.

Em Copa do Mundo, oportunidades desperdiçadas costumam custar caro.

A Seleção teve um pênalti a seu favor ainda no primeiro tempo e desperdiçou a cobrança, defendida pelo goleiro Ørjan Nyland. Foi um dos momentos decisivos da partida.

Também houve o lance de Endrick, que recebeu um passe brilhante de Vinícius Júnior e ficou cara a cara com o goleiro. Era o tipo de oportunidade que, em um Mundial, não pode ser desperdiçada.

Na visão deste autor, outro equívoco aconteceu justamente na cobrança do pênalti. Vinícius Júnior, principal jogador brasileiro e um dos artilheiros da equipe na competição, deveria ter assumido a responsabilidade da cobrança. Jogadores decisivos costumam chamar para si os momentos decisivos. Infelizmente, isso não aconteceu.

Também cabe uma reflexão sobre as escolhas do técnico Carlo Ancelotti.

Respeitando a trajetória vitoriosa do treinador, fica a impressão de que Neymar deveria ter iniciado a partida como titular. Experiência pesa em jogos eliminatórios. Sua presença desde o primeiro minuto certamente obrigaria a defesa norueguesa a dedicar uma marcação especial, abrindo espaços para Vinícius Júnior, Endrick e os demais atacantes. Neymar entrou apenas na etapa final e ainda marcou o gol brasileiro em cobrança de pênalti, quando já não havia tempo suficiente para buscar a reação.

É evidente que o futebol não se resume a hipóteses. Talvez nada disso mudasse o resultado. Mas a sensação que fica é que o Brasil jogou abaixo do potencial que possui.

Durante décadas, a Seleção Brasileira encantou o mundo pela ousadia, criatividade e alegria de jogar futebol. Era uma equipe que atacava, pressionava e fazia os adversários se preocuparem conosco.

Desta vez, infelizmente, pareceu acontecer exatamente o contrário.

A Noruega acreditou mais, correu mais, marcou melhor e foi recompensada. O Brasil teve jogadores talentosos, mas faltou intensidade, agressividade esportiva e, principalmente, a confiança que sempre caracterizou as grandes gerações da nossa Seleção.

Perder faz parte do esporte. Nenhuma seleção é obrigada a vencer sempre. O que o torcedor brasileiro dificilmente aceita é ver um time sem a personalidade que construiu sua história.

As cinco estrelas estampadas na camisa não representam apenas cinco títulos mundiais. Elas representam uma tradição construída por Pelé, Garrincha, Tostão, Jairzinho, Rivellino, Zico, Sócrates, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e tantos outros craques que fizeram do Brasil o verdadeiro País do Futebol.

Quando essa camisa entra em campo, espera-se coragem.

Espera-se protagonismo.

Espera-se que ela imponha respeito.

Hoje, o Brasil acorda triste. Não apenas pela eliminação, mas porque ficou a sensação de que a despedida da Copa aconteceu antes mesmo do apito final, quando a Seleção deixou de acreditar na força da própria história.

Resta agora torcer para que, daqui a quatro anos, possamos voltar a ver uma Seleção mais eficiente, mais corajosa e com a garra que sempre caracterizou os grandes campeões.

Que as cinco estrelas deixem de ser apenas um símbolo do passado e voltem a representar o presente de uma equipe que faça jus ao título de maior vencedora da história das Copas do Mundo.

Matéria redigida por Eugênio Oliveira.

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